Angra dos Reis
Angra dos Reis é um município brasileiro situado na microrregião da Costa Verde, Sul Fluminense no estado do Rio de Janeiro. Está a uma altitude de 6 metros e possui em seu litoral 365 ilhas. Foi descoberta em 6 de janeiro de 1502, mas colonizada apenas a partir de 1556. Sua população estimada em 2006 era de 144.137 habitantes.
Possui uma área de 816,3 km². Os municípios limítrofes são Paraty, Rio Claro e Mangaratiba no território fluminense, e Bananal e São José do Barreiro no lado paulista.
As usinas nucleares da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto situam-se em Angra dos Reis, no distrito de Cunhambebe e são responsáveis pelo fornecimento de grande parte da energia elétrica consumida no estado do Rio de Janeiro.
As atividades econômicas giram em torno da pesca e atividades portuárias (terminal petrolífero), da geração de energia nas usinas Angra I e Angra II, da indústria, do comércio e serviços, da indústria naval(estaleiro Keppel Fels, antigo Verolme) e também do turismo, em suas praias, ilhas e locais de mergulho submarino, principalmente na Ilha Grande. Embora mais lembrada por suas ilhas e pela beleza natural, realmente indescritível, Angra dos Reis possui um rico acervo patrimonial, com inúmeros prédios tombados pelo IPHAN. Seu conjunto arquitetônico é composto por grandes sobrados coloniais e edifícios religiosos como as igrejas de Santa Luzia e a a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, assim como os conventos de São Bernardino e o Convento do Carmo, tendo sua pedra fundamental lançada em 1598. Podemos citar também a Igreja de Nossa Senhora da Lapa, de 1752, onde funciona um museu de arte sacra com riquíssimo acervo.
O município conta com um porto importante, o Porto de Angra dos Reis. No século XIX este chegou a ser o segundo maior porto do país, responsável pelo escoamento de grande parte da produção de café do Vale do Paraíba.
Após 1872 entra em decadência com a inauguração das estradas de ferro, voltando a ocupar posição de destaque na terceira década do século XX quando um ramal ferroviário liga-o aos estados de Minas Gerais e Goiás, por ele escoando a produção agrícola dos mesmos. O ramal ferroviário, em bitola métrica, ainda existe, sendo operado atualmente pela Ferrovia Centro-Atlântica.
Em meados do século XX torna-se crucial na implantação da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, em Volta Redonda, sendo o porto por onde a mesma era abastecida de carvão de coque proveniente de Santa Catarina. Atualmente esta empresa também utiliza o porto para fazer parte das suas exportações de aço.
Sua importância atual se dá pelo fato de ter como instalação subordinada o Terminal Marítimo da Baía da Ilha Grande – TEBIG da Petrobras, que movimenta grandes quantidades de petróleo e posiciona o porto de Angra como um dos mais movimentados do país.
Hoje em dia, devido a beleza de suas praias e das regiões próximas, Angra virou ponto forte do turismo não só estadual, mas também nacional. Possui mais de três centenas de ilhas, muitas delas tendo por donos celebridades nacionais e internacionais, sendo a maior de todas denominada de Ilha Grande. Destacam-se as praias de Guaratecaia, de Mambucaba e a praia de Conceição de Jacareí (distrito de Mangaratiba), além da praia da Sororoca.
História
Localizada na região conhecida como Costa Verde, a 155 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, em meio a lendas e contos, a verdadeira história da cidade. Angra é um lugar mágico, daqueles onde a imaginação vai longe e nos convida a conhecer como tudo começou…
Quando o Brasil foi descoberto em 1500, os portugueses ficaram encantados com o que viram.

Logo após, a coroa portuguesa enviou ao Brasil uma esquadra composta por três navios, para mapear e desbravar o litoral. O navegador Gaspar de Lemos, que comandava a esquadra vinda de Portugal, ficou extasiado naquele dia, que por coincidência era dia de Reis, 6 de janeiro de 1502. O português Américo Vespúcio, que fazia parte da tripulação, escreveu emocionado a Portugal, relatando as paisagens mágicas e quase surreais que presenciava ali. Em meio a Mata Atlântica, oito baías, 365 ilhas e mais de 2.000 praias praticamente selvagens. A natureza exuberante era motivo pelos quais navios piratas eram vistos pelo litoral que, além de se deleitarem com tanta beleza, abasteciam seus navios de água, lenha e provisões. Américo Vespúcio, escreveu a Portugal: “Algumas vezes me extasiei com os odores das árvores e das flores e com os sabores dessas frutas e raízes, tanto que pensava comigo estar perto do Paraíso Terrestre. E o que direi da quantidade de pássaros, das cores das suas plumagens e cantos, quantos são e de quanta beleza? Não quero me estender nisto, pois duvido que me dêem crédito”.

Habitada por índios e escravos, que viviam da caça, da pesca e de uma pequena lavoura, Angra foi colonizada pelos brancos apenas em 1556, onde se fixaram no local conhecido como Vila Velha, em frente a ilha da Gipóia. Foram os filhos do capitão-mor da Capitania de São Vicente que fizeram o local prosperar e, em 1608 foi nomeada de Vila dos Reis Magos da Ilha Grande.
Nesta época, como a maioria dos povoados brasileiros, Angra teve forte influência da Igreja Católica. Com o assassinato do pároco, em 1617, iniciou-se a construção da Nova Igreja Matriz terminada em 1750. Este fato é muito bem retratado pela quantidade de conventos, igrejas, monumentos e ermidas, inclusive nas ilhas, como a Ermida do Senhor do Bonfim, a Igreja de Santana e a Igrejinha da Piedade.
Alguns anos mais tarde Angra foi roteiro obrigatório para os exportadores de ouro que vinham de Minas Gerais e para escoar a produção do café do Vale do Paraíba, além de ter uma importante atividade canavieira. No final do século XIX, com o declínio da produção do café e o fim do tráfico de escravos, a cidade deixou de fazer parte do circuito para Minas e Vale do Paraíba.
Logo depois, a construção da Estrada de Ferro Pedro II, que ligava o Rio a São Paulo, não chegava até o Porto de Angra dos Reis, isolando-o de vez. Mas ainda neste século, houve uma retomada no crescimento econômico com a cultura da banana, a reativação do porto e a construção da ferrovia que ligava Angra à estrada ferroviária principal.

A construção do Estaleiro Verolme, na década de 50 e a instalação de um terminal de desembarque pela Petrobrás, impulsionaram o progresso local. Nos anos 70 as usinas atômicas Angra I e Angra II eram promessa de crescimento econômico, mas também se transformaram em polêmica, com o risco de acidentes e palco para protestos de moradores e ecologistas.
Com a inauguração da Estrada Rio-Santos, a cidade foi descoberta pelos turistas. Ao percorrer as ruas do Centro da cidade percebe-se lendas e fatos que permanecem até hoje arraigados na arquitetura de Angra. As igrejas foram preservadas, porém, sobraram poucas construções daquela época. Algumas das curiosidades são as ruas projetadas em curvas, seguindo o sentido dos ventos que sopravam por lá. Informações importantes: o município de Angra dos reis tem área total: 819 km² sendo, 626 km² no continente e 193 km² nas Ilhas.
Pontos Turisticos
Angra tem além dos seus incontáveis atrativos culturais, muita história para contar. São construções dos séculos XVII e XVIII que incluem imponentes conventos, igrejas, monumentos e ermidas, predominantemente influenciadas pela Igreja Católica. Entre as principais atrações históricas podemos citar:
Convento Nsa. Sra. do Carmo e Capela da Ordem Terceira

Mesmo antes de existir o povoado em Angra, foi residência de frades carmelitas. Inaugurado em 1593 e remodelado em 1623, foi tombado pelo SPHAN em 1954.
O convento abriga um cemitério com o corpo de Maria Isabel da Visitação Corrêa que faleceu em 1822 e teve seu corpo mumificado.
Praça Lopes Trovão

É ali que acontecem as melhores feiras de artesanato da cidade. Além disso, tem um coreto que serve de palco para pequenos shows musicais.
Igreja de Santa Luzia

Foi a primeira igreja matriz de Angra, construída em 1632. Localizada na movimentada Rua do Comércio, mantém até hoje sua graciosidade. Tombada pelo SPHAN em 1954, o estilo barroco predomina nas suas linhas externas e no interior da nave.
Convento São Bernardino de Sena e Capela da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência
Erguido no lugar do antigo convento Franciscano da Cachoeira, data de 1763. Manteve atividade até o ano de 1859. A partir de 1931, o convento abrigou a Casa de Órfãos e Liceu Primário por nove anos. Após esse período retomou suas atividades eucarísticas e, em 1947 foi tombado pelo SPHAN.
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Sua construção começou em 1623 e só foi concluída em 1750. A igreja tem como principal atração a imagem da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. Segundo as lendas locais, a imagem fazia uma viagem para Itanhanhém, mas foi acolhida na Vila dos Reis Magos. Tombada pelo SPHAN em 1954, é uma das mais belas da região e guarda imagens e indumentárias históricas.
Ermida do Senhor do Bonfim
A localização já é uma peculiaridade: a ermida está sobre uma ilhota, em frente à Praia do Bonfim. Sua construção data de 1780, pelas mãos de Manoel Francisco Gomes e tem, como moldura, pitangueiras que dão um ar bucólico ao local. Este minúsculo paraíso já foi palco de diversas telenovelas e campanhas publicitárias.
Igreja Nossa Senhora da Lapa
Obra de Baltazar Mendes de Araújo, foi concluída em 1752. Próxima à rodoviária, hoje é onde o Museu de Artes Sacras de Angra dos Reis mantém suas atividades.
Igreja da Ribeira
Apesar de ter sido erguida em 1772, a Igreja da Ribeira mantém até hoje seus traços arquitetônicos originais. A poucos passos do mar, na Enseada da Ribeira, atualmente sedia diversas atividades católicas para a comunidade local.
Igreja da Piedade
Localizada na Praia da Piedade, Ilha da Gipóia, é um bibelô histórico. O verde do mar faz sobressair o pequeno templo pintado de branco, que serviu de inspiração a muitos pintores de todas as partes do planeta.
Casa da Cultura
Bem na esquina da Rua do Comércio com a Rua Raul Pompéia, fica a Casa de Cultura. Conhecido por abrigar eventos culturais, o prédio construído em 1824, foi adquirido em 1985 pela Prefeitura de Angra dos Reis. No primeiro pavimento acontecem diferentes exposições semanais, além de funcionar o Ateneu Angrense de Letras e Artes, entidade que incentiva a cultura e a preservação da história de Angra.
Edifício do Paço Municipal
Erguido em 1871, defronte a Praça Nilo Peçanha, passou por grande reforma após ser abandonado por décadas. Hoje é onde funciona a sede do Governo Municipal.
Câmara dos Vereadores e Antiga Cadeia Municipal
No prédio já funcionou a única cadeia da cidade até o fim da década de 60. Localizada na Praça Nilo Peçanha, foi erguido no final do século XIX, mas hoje já foi descaracterizado com pequenas modificações na fachada. As celas ocupavam o primeiro pavimento do imóvel.
Prefeitura Municipal
O prédio, onde hoje funciona a prefeitura, foi construído em meados do século XIX e tombado pelo patrimônio histórico em 1982. Está localizado na Rua Professor Lima, em frente à Praça Nilo Peçanha. Vale uma visita, porque o prédio, além de preservar suas características originais, está muito bem cuidado.
Casario da Rua do Comércio
Quem deseja saber um pouco mais do passado da cidade não pode deixar de ir até lá. As casas, datadas do início do século XIX, chamam a atenção pela originalidade. Atualmente abriga a Secretaria do Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Angra.
Colégio Naval
Construído em 1914, bem próximo ao Centro, este prédio retrata bem a história da cidade e da Marinha do Brasil. Localizado na Estrada do Contorno, tem como moldura a exuberância da Mata Atlântica. Ali acontece o ritual diário do hasteamento da bandeira brasileira às 8 horas e arriamento às 17 horas, tendo como pano de fundo, o pôr do sol. Vale conferir.
Ruínas do Forte do Leme
Erguido pelo engenheiro militar, Rosalvo Mariano da Silva, em outubro de 1911, fica no caminho da Praia do Maciel, uma das mais lindas de Angra. Pertenceu ao Encouraçado do Riachuelo até 1950 e possui muitos canhões que nunca foram utilizados. Hoje os canhões estão abandonados e enferrujados, juntamente com as ruínas do forte.
Ruínas do Engenho Central de Bracuhy
Próximas ao Condomínio Bracuhy, na baixada do Rio Bracuhy, as Ruínas são cercadas por vegetação típica de manguezal. Já foi o mais moderno engenho do Brasil, com maquinários vindos da Europa. Construído na mesma área da Fazenda Bracuhy, tem fossos subterrâneos e paredes bem espessas. Sua arquitetura, apesar de estar em ruínas, ainda guarda os traços da Revolução Industrial.
Vila Histórica de Mambucaba
A bela praia, com pequenas casas e uma singela igreja, transformam o cenário num dos mais belos de Angra. Para festejar este paraíso, bares oferecem, além de bebidas geladas e petiscos à base de frutos do mar, música ao vivo, para os mais românticos.
Cais de Santa Luzia
Ao lado do Porto de Angra, o cais tem movimento intenso de turistas durante o ano todo, de onde partem muitos passeios de barco. O visual é encantador, misturando o verde do mar com o colorido intenso dos barcos ancorados ali.
Monumento aos Náufragos de Aquidabã
Localizado na Ponta Leste, em Jacuecanga, a 16 quilômetros da BR-101, o monumento fica num palanque com vista para o mar. Para quem gosta de contemplar a natureza, lá existem banquinhos para sentar e algumas árvores para se esconder do sol. O monumento foi uma homenagem aos mortos da Marinha de Guerra Brasileira, em 21 de Janeiro de 1906, num naufrágio. O grande obelisco, feito em granito, possui gavetas com os restos mortais da tripulação. Para chegar, atravesse a vila da Petrobrás e siga por via asfaltada em direção ao mar. Outra opção além da contemplação da natureza é a pescaria. O local é muito procurado pelos pescadores por causa das pedras onde a presença de peixes é constante.
Mercado de Peixe
Foi erguido em 1914 na Praça Duque de Caxias, no Centro, em frente ao Chafariz da Saudade. A alguns anos atrás o mar quebrava bem próximo ao Mercado. Anos depois, um aterro afastou a construção do mar. Construído no início do século passado, sua arquitetura tem planta ortogonal e portas voltadas para a praça, o que retrata bem as linhas utilizadas na época. Neste período era conhecido como “Banca do pescado” onde havia inúmeras bancas de peixe. Atualmente o mercado é utilizado apenas por pequenos pescadores.
Chafariz da Carioca
Também chamado de Bica da Carioca, é famoso pelas lendas e histórias surrealistas em torno da fonte d’água. Situado na Rua da Carioca (daí o segundo nome), existe a mais de 100 anos. Quando surgiu, a água que jorrava era canalizada de uma chácara nos arredores. Segundo os nativos, esta água também era levada de charrete e comercializada de casa em casa. Toda essa suposta magia deu origem a uma lenda que, segundo os moradores, quem bebe desta água nunca mais deixará a cidade. Com o crescimento de Angra e às muitas construções próximas, não mais é indicada a ingestão da água do chafariz.
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