Crea recomenda que governo tire bondes novos de circulação em Santa Teresa

O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) apresentou nesta segunda-feira (15) um parecer com recomendações em relação aos bondes de Santa Teresa que estão sendo reformados. O conselho passou meses analisando o acidente em que uma professora morreu, depois que um bonde bateu em um táxi, deslizou pelos trilhos e acabou acertando um ônibus, em agosto de 2009, em Santa Teresa, bairro na região central do Rio. Oito pessoas ficaram feridas.

Segundo o Crea, a localização dos sistemas de freio do bonde impediu que o freio de segurança fosse acionado. De acordo com o presidente do Crea, Agostinho Guerreiro, e com o conselheiro Luiz Antônio Cosenza, a caixa onde fica o sistema de freios está muito vulnerável em caso de acidentes. Segundo os dois, mesmo a batida sendo leve, como teria sido no caso do acidente que matou a professora, a caixa é danificada.

De acordo com o Crea, no acidente de agosto todo o sistema de freio foi danificado, impedindo o acionamento do segundo e terceiros freios de segurança. O bonde não deslizou pelos trilhos, uma hipótese que chegou a ser levantada. O freio de emergência não foi ativado porque o sistema foi atingido na batida.

O Crea enviou o relatório com as conclusões para a Secretaria estadual de Transportes. A recomendação do conselho é que, caso o sistema não seja recolocado em outro local, os bondes reformados não sejam postos em circulação.

A sugestão foi feita para a empresa responsável pela reforma dos bondes, mas, segundo o Crea, técnicos teriam dado dois argumentos para não realizar o procedimento: o primeiro foi de que os bondes são tombados, por isso não se poderia mexer no local do sistema; e o segundo foi de que não haveria espaço para reinstalar a caixa onde fica o freio.
A Secretaria de Transportes informa que o inquérito policial, instaurado para apurar a responsabilidade pelo acidente envolvendo um taxi e um bonde, em Santa Tereza, mostrou que o sistema de freio do bonde – o automático e o freio de estacionamento, segundo dispositivo do sistema de frenagem – funcionou devidamente, promovendo o travamento gradual das rodas. O que configura a atuação eficaz do sistema de frenagem do bonde. O inquérito responsabiliza o motorista do taxi pelo acidente. Na ocasião, o carro entrou em alta velocidade na linha do bonde, que fazia uma curva numa ladeira íngrime. Ainda segundo a secretaria, não há a pretensão de mudar a localização do sistema de freios, por achar que o local é o correto. As barras de segurança foram instaladas, de acordo com a secretaria, para sanar qualquer dúvida sobre a segurança dos bondes.

Do G1.

Fonte: Panorama Regional

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