Metade das vagas não é preenchida no ensino superior

Quase metade das 3 milhões de vagas oferecidas no ensino superior em 2008 não foram preenchidas, segundo o Censo da Educação Superior divulgado nesta sexta-feira (27) pelo Inep (órgão ligado ao Ministério da Educação). Somando a oferta em instituições públicas e particulares, 1,47 milhão de vagas ficaram ociosas.

O número corresponde às vagas em cursos presenciais. Se for feita uma comparação de seis anos, o desperdício de oportunidades mais do que dobrou na rede universitária – passou de 567 mil vagas ociosas, em 2002, para 1,47 milhão, em 2008.

A quantidade de vagas ociosas em 2008 é cerca de 10% maior do que em 2007, quando o desperdício era de 1,3 milhão de vagas em todo o país.

As universidades públicas respondem por uma pequena parte deste problema – 36 mil vagas, em dados de 2008. O número, no entanto, representa um aumento de quase 20% com relação a 2007, quando 30,7 mil vagas estavam vazias.

Maria do Carmo Peixoto, professora de educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e especialista em ensino superior, afirma que o problema pode estar no crescimento descontrolado das universidades particulares:

— Essa expansão começou no fim dos anos 1990 e não parou mais. O número de vagas ofertadas é maior que o de alunos.

Nas instituições privadas, o número de oportunidades não-preenchidas é quase 40 vezes maior do que no setor público: 1,44 milhão de vagas acabaram inutilizadas.
O crescimento na rede federal ocorreu através do Reuni (programa de expansão das universidades federais do governo), afirma Maria do Carmo:

— Em um primeiro momento, houve o aumento das vagas [nas universidades federais]. No próximo censo, em 2009, é que vamos ver se elas estão sendo preenchidas.

Do R-7.

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Fonte: Panorama Regional

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