Grampos expõem máfia da merenda em cinco Estados
Tudo começou em 25 de agosto do ano passado, quando uma empresária foi sequestrada em Cidade Ademar, na zona sul da capital. No dia seguinte, os sequestradores telefonaram para o marido da vítima e exigiram R$ 1 milhão de resgate. Usaram uma linha de prefixo 8855. A polícia descobriu que naquele mesmo aparelho havia sido colocado um chip cujo prefixo era 8882. Ao pesquisar os dados dessa linha na operadora, policiais verificaram que constava no cadastro de “telefones de contato” uma linha fixa e um outro celular, de prefixo 9668.
A Divisão Antissequestro (DAS) pediu e a Justiça concedeu a interceptação de todas as linhas, pois elas estariam em poder dos sequestradores. No dia 20 de setembro, a vítima foi libertada. Os diálogos gravados de 2 a 17 de setembro nos telefones que supostamente estariam com os sequestradores revelaram uma surpresa. “As conversas versam sobre práticas comerciais pouco ortodoxas, tais como remuneração de secretários municipais, emissão de recibos de valores maiores do que as quantias mencionadas e pagamentos”, diz o relatório encaminhado pela DAS à Justiça.
O telefone 9668 estava cadastrado em nome de Marco Antônio Tressoldi, financeiro da Verdurama. A polícia prendeu dois acusados do sequestro. Entre eles, o técnico em telefonia Joel Scariot, condenado a 16 anos de prisão pela participação no sequestro. Para a DAS, era ele quem arrumava os telefones clonados usados pela quadrilha durante o sequestro. Scariot seria, segundo a polícia, a chave para explicar como o telefone de contato do sequestrador foi parar nas mãos de Tressoldi.
O financeiro da Verdurama aparece falando em cinco interceptações e é citado em outras pelo ex-sócio da empresa, Genivaldo Marques da Silva, o Tiquinho. Ele deixou a empresa em setembro de 2008, quando teve início a investigação sobre a suposta fraude na licitação da merenda na capital paulista.
As conversas gravadas pela DAS mostram supostos pagamentos das empresas da merenda para prefeituras de sete partidos políticos (PT, PMDB, PR, DEM, PDT, PPS e PSDB). As principais conversas envolvem três pessoas ligadas à empresa Verdurama: Genivaldo Marques dos Santos, o Tiquinho, sócio da empresa até o ano passado; o financeiro Marco Antônio Tressoldi; e Luiz Cezar Gonçalves, um gestor contratado.
Os investigados mostram que usam contas bancárias de seis instituições financeiras – Bradesco, Indusval, Daycoval, Safra, BIC e BMG. Elas revelam a insatisfação com a qualidade da merenda fornecida em Ubatuba, Porto Ferreira, Pindamonhangaba, Araçariguama, Monte Mor (em São Paulo) e em Volta Redonda (RJ).
De posse de todo esse material, o promotor de Justiça Orion Pereira Costa determinou o envio de cópias para os promotores de todas as cidades citadas para a apuração de “eventuais crimes”. No próximo dia 11, Gonçalves e Tressoldi estão intimados para serem ouvidos no primeiro inquérito, aberto pela Delegacia de Caraguatatuba.
Do estadão.
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Fonte: Panorama Regional





