Itália contraria Vaticano e aprova venda de pílula abortiva
A Agência Italiana dos Fármacos (Aifa) autorizou na noite de quinta-feira (30) o uso da pílula abortiva no país, apesar dos protestos da Igreja Católica, que ameaça excomungar os médicos que a receitarem e as pacientes que a usarem.
Membros do governo centro-direitista de Silvio Berlusconi também pressionaram a Aifa a não autorizar o uso da pílula.
Desde 1978, o aborto é legal na Itália nos primeiros 90 dias de gestação, sem necessidade de justificativa, ou até a 24ª semana, caso haja malformação fetal ou risco à vida da mãe. Por lei, todos os abortos devem acontecer em um hospital.
Usada para interromper gestações de até 49 dias, a pílula é comercializada nos EUA pelo laboratório Danco sob a marca Mifeprex, e fora dos EUA pela francesa Exelgyn, sob a marca Mifegyne. A Aifa estipulou que a pílula só pode ser administrada em hospitais, mas críticos dizem que, com a liberação, algumas mulheres deverão abortar em casa, sem assistência médica.
Em 2005, cinco mulheres morrearam nos EUA e no Canadá por causa de uma rara infecção bacteriana, depois de usarem a pílula. Recentemente, pesquisadores dos EUA descobriram que a administração oral em conjunto com antibióticos, em vez da administração vaginal, reduz o risco de infecção.
O Vaticano, contrário a todas as formas de aborto, por considerar que a vida começa na concepção, diz não haver diferença entre a pílula e o aborto cirúrgico.
A pílula abortiva já vinha sendo administrada experimentalmente em algumas regiões italianas. Com a decisão da Aifa, ela passa a ser legal em toda a Itália.
Do G1.
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Fonte: Panorama Regional
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