VOLTA REDONDA
TANIA CRUZ
Uma médica anestesista do Hospital do Retiro, de 33 anos, com suspeita de ter contraído gripe suína no México já foi submetida a exames. Na tarde de ontem, uma equipe da coordenação de epidemiologia da Secretaria Estadual de Saúde esteve na cidade só para colher a secreção da garganta e do nariz da anestesista. Segundo informaram os profissionais, o resultado sai em 48 horas. Mesmo assim, a suspeita preocupa a população, que busca mais informações sobre o caso.
Desde que foi levantada a suspeita da médica ter contraído a doença, ela está de quarentena, em casa. Apesar de ter estado também em Cancun, no México, de onde o casal voltou da lua de mel na semana passada, o marido da anestesista não precisou fazer o exame, já que não apresenta nenhum sintoma. Porém, está também de quarentena.
Na manhã de ontem, durante coletiva à imprensa, a coordenadora do Setor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Ana Valéria Maia, disse considerar reduzida a possibilidade da médica ter contraído a doença. Segundo a coordenadora, a anestesista voltou da lua de mel, passada no México, no dia 14, sendo que no dia seguinte viajou para a cidade mineira de Patrocínio para visitar parentes, retornando no dia 21. Ainda segundo a coordenadora, como a médica não vinha acompanhando os noticiários por estar curtindo férias, ficou sabendo da epidemia no domingo. E foi por precaução que ela decidiu ir ao hospital e procurar os colegas de profissão para um melhor diagnóstico. A partir daí, o fato foi comunicado à SMS, e em seguida, à Secretaria Estadual de Saúde para as devidas providências.
A coordenadora de Epidemiologia da SMS esclareceu que a medida de deixar a médica isolada é preventiva até que saia o resultado do exame. Ana Valéria lembra ainda que o caso da anestesista pode não ser gripe suína, já que o vírus dessa doença permanece no corpo do paciente por cinco a seis dias, sendo que a médica começou a ter os sintomas dez dias após o retorno do México, onde a epidemia se iniciou. Para Ana Valéria, pode até ser um excesso por parte da Secretaria de Saúde, mas trata-se de uma medida preventiva necessária. Ela acrescenta que no caso da médica, o quadro da gripe não apresentou alterações. “Pode ser mesmo uma gripe comum, já que o marido dela não está gripado e continua cumprindo com suas atividades diárias”, disse a coordenadora.
POPULAÇÃO AINDA TEM MEDO
Mesmo diante dos cuidados adotados pela SMS no caso de suspeita da médica de Volta Redonda ter contraído gripe suína, a população continua preocupada. Exemplo disso são as declarações de algumas pessoas que aguardavam a vez para serem atendidas ontem, no Hospital do Retiro. Muitos garantiram que estão preocupados e perguntaram se há possibilidade de contraírem a doença só pelo fato de estarem no local onde a médica ficou. A doméstica Ângela Aparecida Santos, 28 anos, que aguardava a consulta da mãe, disse que não sabia do caso, mas garantiu temer pelo contágio da doença.
Outra que se mostrou com medo de contrair a gripe suína foi a autônoma Ester de Sousa e Silva, 32 anos. Ela contou que desde que ficou sabendo da possibilidade da médica estar com a doença ficou temerosa de ir ao hospital. Disse ainda que só ficou tranquila quando foi informada de como o vírus é transmitido. “De tanto ver as pessoas falarem fiquei morrendo de medo. Não sabia como o vírus era transmitido. Agora já sei”, falou a mulher, lembrando que muitas pessoas devem estar desinformadas como ela.
A vendedora Gilza Alves da Conceição, 44 anos, que estava ontem no hospital para consultar o filho de quatro anos, disse que a situação preocupa, mas que acredita no trabalho dos profissionais para evitar que a doença se espalhe. “No caso de Volta Redonda, se for mesmo gripe suína, as autoridades já tomaram as providências. Tem que ser assim mesmo, para evitar que mais pessoas sejam contaminadas”, disse a vendedora.
Ontem, foi noticiado por alguns veículos de comunicação que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teria descartado que a médica não estaria com a gripe suína. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Volta Redonda declarou que os resultados oficiais saem em 48 horas. Disse ainda que a Anvisa só pode agir nas cidades se o estado e o município solicitarem, o que não aconteceu em Volta Redonda. Por isso a informação divulgada não seria oficial.
Até o fechamento desta edição, segundo o Ministério da Saúde, das onze pessoas que estão sendo observadas em todo o país, nenhuma apresentava todos os sintomas típicos da gripe suína. Um caso no interior de São Paulo, tido como suspeito, apontou que a pessoa estava, na verdade, com sinusite. O ministério está acompanhando o estado de saúde dos 11 viajantes procedentes de áreas afetadas pela gripe suína que apresentaram alguns sintomas clínicos, mas nenhum deles preenche completamente o quadro definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que são febre repentina, superior a 38ºC, acompanhada de um ou mais sintomas que são tosse, dificuldade respiratória, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, e ter como procedência o México ou as áreas afetadas nos Estados Unidos e no Canadá, nos últimos dez dias.
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