Marcos Valério é transferido para Penitenciária do Tremembé
RIO - Pivô do escândalo do mensalão, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza foi transferido nesta terça-feira para a Penitenciária II de Tremembé, na região do Vale do Paraíba, em São Paulo. Valério estava detido na carceragem da superintendência da Polícia Federal em São Paulo.
O empresário teve a prisão preventiva decretada na segunda-feira pela juíza Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Criminal Federal de São Paulo, quando terminaria o prazo previsto para a prisão temporária. Ele está detido desde o dia 10 de outubro acusado de articular um esquema de corrupção e comandar uma quadrilha para forjar um inquérito contra fiscais da Fazenda. O advogado de Marcos Valério já informou que vai entrar com um pedido de habeas corpus.
Marcos Valério também é réu no processo que corre no Supremo Tribunal Federal sobre o mensalão. Mas a prisão pela PF foi sob a acusação de comandar um esquema de espionagem contra agentes da Receita Federal e por corrupção de delegados da própria PF. Marcos Valério e o sócio Rogério Tolentino foram presos em Belo Horizonte, na Operação Avalanche, com mais 15 pessoas, entre policiais federais e policiais civis, empresários e advogados.
Valério e Tolentino são acusados de forjar denúncias contra dois funcionários da Receita responsáveis por uma multa à Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição, do grupo Cervejaria Petrópolis, de R$ 104,54 milhões, por sonegação de impostos estaduais e ICMS. Segundo a denúncia feita pelo Ministério Público Federal à 1ª Vara Criminal paulista, os dois foram contratados pela cervejaria, que fabrica a cerveja Itaipava, para desmoralizar fiscais da Receita.
A juíza acolhera o pedido de prisão preventiva da polícia, que concordou o Ministério Público Federal, segundo o qual, um dia antes de deflagrada a operação, os empresários tinham ciência prévia de que seriam presos, confirmando o “vazamento” de informações sigilosas.
Segundo a Polícia Federal, na mesma noite, dois automóveis saíram de madrugada da casa de Marcos Valério, provavelmente levando provas que poderiam incriminá-los. A investigação aponta que Marcos Valério foi informado de que seria preso e avisou Rogério, o que demonstraria que eles têm acesso a órgãos públicos e informações sigilosas.
“É bem provável que, por força da informação obtida ilicitamente (já que o procedimento tramitava em segredo absoluto de justiça), Marcos Valério chegou a destruir ou ocultar provas que contra ele existiam em sua residência, tendo sido este o motivo da saída dos veículos daquele local durante a madrugada”, disse a juíza nos autos.
Para Paula Mantovani, se os investigados conseguem obter informações de autos resguardados pelo sigilo absoluto, postos em liberdade, eles poderiam prejudicar as investigações.
Fonte: O Globo Online
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