Bovespa termina junho com pior resultado mensal desde abril de 2004
Com agências

RIO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou junho com perda de 10,43%, o pior desempenho mensal desde abril de 2004, o Ibovespa, seu principal indicador, caiu 11,45%. Junho também foi de recordes negativos para o mercado americano. Em Nova York, índice Dow Jones acumulou perda de 10,2%, o pior resultado desde setembro de 2002, quando recuou 12,4%, e o pior junho desde a Grande Depressão, de 1930, quando despencou 17,7%.
No ano, no entanto, o Ibovespa acumulou ligeira valorização, de 1,77%, ao contrário da bolsa americana que recuou 14,4% no período (índice Dow Jones). Este foi o pior primeiro semestre para a Bolsa de Nova York desde 1970.
Em 2008, o rendimento do Ibovespa perdeu para os investimentos de renda fixa e para a inflação. Segundo os dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), no ano (até 25 de junho, últimos dados disponíveis) a rentabilidade média dos fundos DI foi de 5,19%, enquando que os fundos de renda fixa renderam 5,68%.
- Há muito tempo não via um semestre tão ruim, com a bolsa perdendo para a renda fixa. Se o cenário externo acalmar, as coisas devem melhorar no segundo semestre do ano - afirmou o gestor de fundos da corretora Umuarama, Rafael Moyses, que credita o desempenho ruim da Bovespa à crise do setor financeiro americano e aos temores de inflação juntamente com as perspectivas de recessão nos EUA.
Para o especialista, os preços das ações na Bovespa estão muito atrativos, mas não há fluxo externo de recursos para impulsionar as compras e, como conseqüência, as cotações não sobem. Ele mantém a previsão, no entanto, de que o Ibovespa chegue a 80 mil ou até mesmo 85 mil pontos no fim do ano, com a melhora do cenário externo.
Para Valmir Celestino, gestor de renda variável do Banco Safra, é com base na expectativa de manutenção dos altos preços de commodities (especialmente petróleo e metais, que influenciam as principais empresas da bolsa brasileira) que os analistas preveêm uma performance mais animadora no segundo semestre deste ano.
- As projeções também apontam para resultados muito positivos das empresas brasileiras no segundo trimestre, o que pode dar algum fôlego às ações - diz Celestino.
Para Celestino, os preços muito baixos das ações brasileiras empurraram alguns investidores às compras e fizeram com que a Bovespa fechasse em alta nesta segunda-feira, pelo segundo pregão consecutivo.
Nesta segunda-feira, o Ibovespa fechou com alta de 1,08%, aos 65.018 pontos. O volume financeiro desta segunda-feira foi abaixo da média e ficou em R$ 4,7 bilhões. O dólar subiu 0,13%, a R$ 1,597.
Nesta segunda-feira, entre as ações com maior peso no Ibovespa, Petrobras PN subiu 2,01%, a R$ 46,21, e Vale PN teve alta de 1,36%, a R$ 47,70. Bradesco PN subiu 1,26%, a R$ 32,99, e Itau PN se valorizou 0,31%, a R$ 32,60. Usiminas PN caiu 0,88%, a R$ 79,00, e CSN ON teve alta de 1,82%, a R$ 71,48. As ações preferenciais da Gerdau Metalúrgica avançaram 5,1%, para R$ 52,00.
Ainda nesta segunda, o Dow Jones teve ligeira valorização, de 0,03%, e o eletrônico Nasdaq caiu 0,98%. Preocupou o mercado externo, nesta segunda, o preço do barril do petróleo em Nova York chegou a ser cotado acima dos US$ 143, mas depois perdeu força e fechou com ligeira queda.
De acordo com o analista da Win, home broker da Corretora Alpes, Fausto Gouveia, um ponto positivo é que a Bovespa apresenta disposição para alta, ou seja, potencializa as pontuais melhoras de humor no cenário externo.
Para a semana, a expectativa é de instabilidade elevada em função da agenda e do feriado nos Estados Unidos, onde os negócios acabam mais cedo na quinta-feira e as bolsas não operam na sexta-feira.
Além da preocupação global com petróleo e inflação, o cenário de alta de juros no mercado interno é mais um fator a tirar atratividade da renda variável. Segundo Gouveia, os juros em ascensão, com projeção de Selic em 14,25% no final do ano, dão certo conforto para o investidor migrar para o investimento em renda fixa.
Maioria das bolsas asiáticas fecha em baixa
Na Europa, com exceção de Frankfurt (-0,06%), as principais bolsas fecharam com valorização nesta segunda-feira. O índice FTSE, de Londres, registrou alta de 1,74% e o CAC-40, de Paris, subiu 0,85%.
Na Ásia, grande parte das bolsas fechou em queda nesta segunda-feira. Os investidores mantiveram-se cautelosos, preocupados com a inflação e com os problemas no ambiente de crédito, bem como com o impacto desses fatores na economia.
O Nikkei 225, de Tóquio, diminuiu 0,46%, para 13.481,38 pontos. Em Seul, o Kospi perdeu 0,57%, ficando em 1.674,92 pontos. Na Bolsa de Xangai, o Shanghai Composite declinou 0,45%, aos 2.736,10 pontos.
Em sentido contrário, o Hang Seng, de Hong Kong, aumentou 0,27%, somando 22.102,01 pontos.
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Bovespa fechou a sexta-feira em alta, mas acumulou perda de 0,45% na semana passada.
Fonte: O Globo Online
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