Direção do Masp descarta possibilidade de roubo maior de quadros …

Masp. Foto: Arquivo

SÃO PAULO - O curador do Masp (Museu de Arte de São Paulo), Teixeira Coelho, disse que o plano frustrado da quadrilha de roubar oito quadros em vez de dois era impossível. O jornal “Folha de São Paulo” publicou nesta sexta-feira uma entrevista com Moisés de Lima Sobrinho, um dos suspeitos de furtar o Masp, na qual o acusado contou que a quadrilha pretendia levar além de “O lavrador de café”, de Portinari, e “O retrato de Suzanne Bloch”, as obras “Passeio ao crepúsculo”, de Van Gogh, “Menina com espiga”, de Renoir, “Ressurreição de Cristo”, de Rafael, “O atleta” e “Toalete”, de Picasso, e mais um Renoir, do qual o acusado não lembrava o nome.

- É muito difícil sair de um museu com oito quadros. Que credibilidade tem esta afirmação? - questionou o curador do museu, lembrando que em Zurique, foram roubados recentemente quatro quadros no museu Buehrle de Cézanne, Degas, Van Gogh e Monet.

Teixeira Coelho disse que não havia lido a reportagem da “Folha de São Paulo”.

- Nem perco meu tempo com isso.

O museólogo e curador Ricardo Resende discorda de Teixeira Coelho.

É factível. Quem leva dois, leva oito

- É factível. Quem leva dois, leva oito. Vai ver foi um erro de estratégia dos ladrões. O roubo mostrou que o Masp tem uma estrutura falha e desde então poucas mudanças aconteceram - critica Resende.

Moisés de Lima Sobrinho disse à “Folha” que ganharia US$ 40 milhões se tivesse furtado os oito quadros. Seria uma participação numa transação envolvendo bilhões de dólares. Os dois especialistas em arte acreditam que as cifras citadas por Moisés na reportagem são irreais.

O roubo mostrou que o Masp tem uma estrutura falha e desde então poucas mudanças aconteceram

- Roubar uma obra de arte de um museu como o Masp é um tiro no pé. Os valores que ele cita são irreais. Um receptador pagaria o valor estimado em uma obra destas dividido por 100 ou mais. Ninguém pagaria centenas de milhões de dólares por um quadro roubado, que jamais poderia ser leiloado - disse Ricardo.

Teixeira Coelho qualificou de bobagem os números citados pelo suspeito.

- No mercado negro, eles trocam quadros por cocaína.

Se for verificado que a atual administração do Masp não tem condições de gerir seu patrimônio, ela será revista de forma amistosa ou por meio da Justiça

Mais de dois meses após o roubo, os quadros já estão de volta ao Masp e três suspeitos estão presos. Os debates em torno de uma possível intervenção pública no Masp acalmaram-se. O Ministério Público (MP) pediu a interdição do museu por falta de condições de segurança, mas a Justiça negou a solicitação. A promotora de Justiça Marisa Schiavo Tucunduva conduz há dois meses uma auditoria das contas do Masp. O laudo deve sair nas próximas semanas.

- Se for verificado que a atual administração do Masp não tem condições de gerir seu patrimônio, ela será revista de forma amistosa ou por meio da Justiça - informou a promotora.

Ela explicou que há duas ações distintas em relação ao Masp, uma sobre as finanças do museu e outra sobre as condições de segurança do prédio, que segue tramitando, mesmo após o indeferimento da interdição. Caso a Justiça constate que o prédio do Masp não apresenta condições de segurança para o acervo e o público, os quadros serão transferidos para a Pinacoteca do Estado.

- O MP tem que investigar as dívidas do Masp. Não se sabe muito bem quem são os diretores, não há transparência. O museu é um bem público e, bem ou mal, o dinheiro é de origem pública, pois vem de incentivos fiscais. É fundamental insistir nas investigações - diz Ricardo Resende.

No Brasil, a vítima é sempre o suspeito, quando não é a culpada

Teixeira Coelho queixa-se das investigações.

- No Brasil, a vítima é sempre o suspeito, quando não éa culpada - disse, completando que confia na administração do Masp.

Sobre a possibilidade de gestão mista do Masp, dividida entre poder público e privado, os curadores divergem.

- Não entendo o que é gestão mista. Entendo um acordo entre iniciativa privada, sociedade civil e poder público. O E. Estado no Brasil não é solução para nada. O que tem que ser debatido é uma política nacional para os museus - avalia Teixeira Coelho.

Ricardo Resende acredita que não é bom que uma instituição seja puramente pública ou privada, que o ideal é uma gestão conjunta.

- Seria bom a participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para observar as condições museológicas, de segurança, éticas e morais. Ao mesmo tempo é bom que haja a iniciativa privada, para agregar dinamismo e captar recursos - avalia.

Fonte: O Globo Online

Outros Links: MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras

Compartilhe e divulgue:
  • Digg
  • Sphinn
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Mixx
  • Google
  • Bumpzee
  • Netvouz
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • Technorati
  • Wists
  • YahooMyWeb

Faça um Comentário